Sindicato representante dos Trabalhadores tenta diálogo via Embaixada do Brasil
Comitiva representante da cadeia produtiva do tabaco busca espaço para apresentar posição da categoria diante da ausência de acesso aos debates oficiais
Genebra (Suíça) – Sem acesso aos espaços de debate da delegação brasileira na 11ª Conferência das Partes para o Controle do Tabaco (COP-11), representantes dos trabalhadores da indústria do tabaco recorreram, junto da comitiva brasileira, à Embaixada do Brasil para abrir um canal de diálogo. Ainda nesta terça-feira, 18, obtiveram êxito e garantiram um espaço de interlocução: foram agendadas reuniões para quarta e quinta-feira, dias 19 e 20, das 9 horas às 11 horas, no próprio consulado, com representantes da embaixada na COP-11. A iniciativa busca assegurar que os representantes da cadeia produtiva tenham acesso às informações e possam apresentar seus posicionamentos de forma institucional e responsável.
As reuniões envolverão representantes oficiais que acompanham os debates da COP-11 e que, ao retornarem das sessões, irão compartilhar os encaminhamentos do dia anterior. Para a comitiva, a medida representa a tentativa de estabelecer um mínimo espaço de escuta e transparência, com oportunidade de ter posicionamento da comitiva para cada item. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fumo e Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa), Éder Rodrigues, é essencial que os trabalhadores sejam considerados nas decisões. “Não estamos aqui para obstruir o debate. Estamos aqui para defender o direito de participar das discussões que afetam diretamente o sustento de trabalhadores e milhares de famílias brasileiras, que trabalham incansavelmente, muitas vezes começando de madrugada”, afirma.
A comitiva agradece o embaixador Tovar da Silva Nunes a ter recebido os membros da delegação brasileira e abrir espaço para a comitiva e conduzir as reuniões dos próximos dois dias. Rodrigues considera o gesto um avanço importante na busca por diálogo e transparência sobre os pontos relevantes que poderão afetar a vida dos nossos trabalhadores. “Nossa base representa trabalhadores presentes em toda a cadeia produtiva. O diálogo com o consulado é um caminho para explicar a realidade dos municípios e mostrar os impactos sociais e econômicos que a conferência precisa considerar com responsabilidade”, destaca. O sindicato reforça que a construção de soluções depende de escuta qualificada e de canais democráticos de participação.
A presença dos trabalhadores em Genebra reforça o compromisso da categoria em contribuir com equilíbrio, transparência e visão social para os debates internacionais. “Seguiremos firmes para apresentar dados reais e defender dignidade dos trabalhadores. Não queremos ser espectadores de decisões que definem o nosso futuro. Viemos representar o trabalhador brasileiro e mostrar que ele precisa ser ouvido”, conclui o presidente do Stifa.