Negociações coletivas do tabaco e da alimentação caminham para conclusão de acordos
Com assembleias realizadas e tratativas em fase adiantada, Stifa encaminha acordos de categorias com datas-base entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, priorizando reajustes salariais, ganhos reais, avanços sociais e a manutenção de direitos e benefícios
Santa Cruz do Sul – As negociações coletivas dos trabalhadores das indústrias do tabaco e da alimentação estão em estágio adiantado na área de abrangência do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e da Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa), que representa as categorias nos municípios de Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Vale do Sol, Sinimbu, Sobradinho, Candelária e Gramado Xavier. O calendário contempla categorias com datas-base distribuídas entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, mas a maior parte das assembleias de elaboração das pautas de reivindicações já foi realizada juntamente com os trabalhadores e diversas empresas passaram pela etapa inicial de negociação. A antecipação das tratativas permite encaminhar os acordos com maior planejamento, concentrando esforços na valorização salarial, na preservação do poder de compra e na manutenção e ampliação dos direitos e benefícios conquistados pelos trabalhadores.
O levantamento do Sindicato demonstra que as negociações já ocorreram no frigorífico Gassen e na Terra Nobre, enquanto outras estão programadas para as primeiras semanas de novembro, entre elas BAT, JTI, o frigorífico Schneider, Fumageiras e Unicruz, além de outras empresas do segmento da alimentação. No Frigorifico Gassen, a apreciação da proposta pelos trabalhadores está prevista para 16 de novembro, representando uma das etapas finais do processo. A antecipação também contempla categorias com datas-base em janeiro de 2027, como Philip Morris e Refeições Coletivas, que já realizaram suas assembleias com Trabalhadores e têm reuniões de negociação agendadas para novembro. Na Germani Alimentos, cuja data-base ocorre em fevereiro, a elaboração da pauta está programada para janeiro. O cronograma evidencia o encaminhamento das negociações mesmo nas categorias cujos novos acordos terão vigência apenas no próximo ano.
Para o presidente do Stifa, Éder Rodrigues, o estágio das negociações demonstra a importância do planejamento sindical e da participação dos trabalhadores na definição das prioridades. “Estamos conduzindo as negociações com antecedência, responsabilidade, transparência e firmeza, buscando construir acordos que representem conquistas concretas para os trabalhadores. Nosso compromisso é garantir a reposição das perdas inflacionárias, buscar ganhos reais e assegurar a valorização dos pisos salariais, dos benefícios e das condições de trabalho. Cada categoria tem suas particularidades, mas todas precisam ter reconhecida a importância de sua contribuição para o desenvolvimento das empresas da região, afirma.
Além das questões econômicas, as pautas contemplam a preservação e o aprimoramento das cláusulas sociais, a segurança no ambiente de trabalho e a manutenção dos direitos assegurados em acordos e convenções coletivas anteriores. As reivindicações são construídas coletivamente, a partir das assembleias realizadas nas empresas, nas quais os trabalhadores apresentam suas demandas e estabelecem as prioridades defendidas pelo Sindicato. Após as rodadas de negociação, as propostas são submetidas à apreciação das respectivas categorias, garantindo a participação dos trabalhadores nas decisões sobre os acordos coletivos.
Rodrigues ressalta que o avanço das tratativas não reduz a importância da mobilização sindical, especialmente nas etapas decisivas de apreciação das propostas. “A negociação coletiva é um processo construído com a participação dos trabalhadores, desde a elaboração das pautas até a aprovação dos acordos. Quanto maior o envolvimento da categoria, mais forte é a nossa representação diante das empresas. Queremos concluir essas negociações com resultados que preservem direitos, assegurem melhorias e reconheçam o valor de quem trabalha diariamente para movimentar a economia da nossa região”, complementa.
Atual safra do tabaco registra mais de 9 mil sazonais
A safra de tabaco de 2026 contabilizou mais de 9 mil contratações de trabalhadores sazonais na área de abrangência do Stifa, resultado considerado dentro das expectativas da entidade sindical. Para a próxima safra, entretanto, o sindicato está esperando os resultados do volume da safra para projetar as admissões. O cenário é acompanhado pelo Sindicato diante dos possíveis impactos sobre a geração de empregos temporários e a renda dos trabalhadores que dependem das atividades industriais ligadas ao processamento do tabaco.
Em contrapartida, a implementação da escala 5×2, com redução da jornada semanal para 42 horas em 2027 e para 40 horas na safra de 2028, poderá modificar a dinâmica das contratações. Na avaliação sindical, a reorganização das jornadas tende a ampliar o período de processamento industrial do tabaco, permitindo que os contratos sazonais tenham maior duração.
Para o presidente Éder Rodrigues, as mudanças exigem atenção tanto ao volume de empregos quanto à duração e às condições dos contratos. A jornada de 42 e 40 horas poderá trazer uma nova dinâmica para a safra, com contratos mais longos e maior continuidade da renda. Nosso papel é acompanhar essas transformações para que ocorram com respeito aos direitos e valorização dos trabalhadores”, avalia o dirigente do Stifa.


